{"id":1088,"date":"2024-12-17T11:44:20","date_gmt":"2024-12-17T14:44:20","guid":{"rendered":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/?p=1088"},"modified":"2025-04-10T02:59:49","modified_gmt":"2025-04-10T05:59:49","slug":"mulheres-da-terra-indigena-yanomami-criam-cartilha-de-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/mulheres-da-terra-indigena-yanomami-criam-cartilha-de-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"Mulheres da Terra Ind\u00edgena Yanomami criam cartilha de Direitos Humanos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_8815.jpg?itok=BYIDkzTz\" alt=\"Ariane Yanomami aparece sentada, escrevendo em um papel. Ela tem o rosto pintado\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ariane Yanomami em discuss\u00e3o sobre os aprendizados da oficina de Direitos Humanos\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Vinte e quatro mulheres Yanomami (Yanomam, Yanomami, San\u00f6ma e Ninam) e Ye\u2019kwana criaram uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/direito-das-mulheres\">cartilha sobre Direitos Humanos<\/a>&nbsp;para as mulheres da maior terra ind\u00edgena do Brasil, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/4016\">Terra Ind\u00edgena Yanomami<\/a>. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de uma oficina sobre Direitos Humanos, ministrada na \u00faltima semana de novembro, em Boa Vista.<\/p>\n\n\n\n<p>As respons\u00e1veis pela cartilha representaram as 10 associa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas do territ\u00f3rio, que em um movimento in\u00e9dito indicaram apenas mulheres para suas respectivas representa\u00e7\u00f5es. A&nbsp;<a href=\"https:\/\/ufmg.br\/\">Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/a>, e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/\">Instituto Socioambiental (ISA)<\/a>&nbsp;ministraram a forma\u00e7\u00e3o com apoio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\">Minist\u00e9rios dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O documento reflete os aprendizados de combate a viol\u00eancia contra mulher, explicando as leis Maria da Penha e do Feminic\u00eddio, al\u00e9m de abordar aspectos culturais da conviv\u00eancia Yanomami, como o direito ao casamento, direitos de servi\u00e7o do genro e de recursos da floresta. Durante a oficina, as mulheres apresentaram diversas preocupa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade e as viola\u00e7\u00f5es do direito \u00e0 aten\u00e7\u00e3o diferenciada, reflex\u00f5es que tamb\u00e9m foram transmitidas no material final.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s ind\u00edgenas queremos ficar em paz vivendo na nossa comunidade, sem ter nem um conflito com os nossos idosos e as nossas crian\u00e7as. Queremos que os brancos entendam que a gente tamb\u00e9m precisa viver feliz, assim como eles vivem\u201d, diz um dos poucos trechos em portugu\u00eas do material escrito predominantemente em Yanomami e ilustrado com artes ind\u00edgenas pintadas durante a oficina.<\/p>\n\n\n\n<p>A oficina come\u00e7ou refletindo sobre as regras, direitos e deveres de conviv\u00eancia entre as diferentes comunidades, em seguida os ind\u00edgenas foram apresentados&nbsp; aos conceitos e hist\u00f3ria dos Direitos Humanos e Direitos Ind\u00edgenas. A partir do terceiro dia, a forma\u00e7\u00e3o se aprofundou nos direitos das mulheres e direito \u00e0 sa\u00fade da mulher.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_8832.jpg?itok=A6hszCV3\" alt=\"Ana L\u00facia, representante da AMYK, foi tradutora na oficina. Ela aparece sentada, tem o rosto pintado e ri\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ana L\u00facia, representante da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Kumirayoma (AMYK), apoiou como tradutora durante a oficina\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA\u200b\u200b\u200b\u200b<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ana L\u00facia Paix\u00e3o Vilela, representante da&nbsp;<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/editora\/amyk-associacao-das-mulheres-yanomami-kumirayoma\">Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Kumirayoma (AMYK)<\/a>, apoiou com a tradu\u00e7\u00e3o para as ind\u00edgenas que n\u00e3o falam portugu\u00eas e se sentiu entusiasmada para dividir o que aprendeu com as mulheres de Maturac\u00e1. O que mais surpreendeu a ela durante a forma\u00e7\u00e3o foi como as mulheres passaram a ser inseridas nos Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes n\u00e3o havia algo espec\u00edfico para o direito das mulheres porque eram os homens que faziam os direitos, s\u00f3 eles falavam e n\u00e3o \u00e9ramos totalmente contempladas, mas fomos evoluindo e foi pensada a cria\u00e7\u00e3o de direitos para as mulheres\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Manuela Otero Sturlini, assessora do Instituto Socioambiental (ISA), a participa\u00e7\u00e3o das mulheres em forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e forma\u00e7\u00e3o sobre Direitos Humanos era um pedido das Yanomami durante a invas\u00e3o garimpeira e sequ\u00eancia de ataques do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Ao mesmo tempo, as mulheres Yanomami pediam, durante o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/xiv-encontro-de-mulheres-yanomami-discute-crise-na-saude-gravidas-bebem\">Encontro de Mulheres Yanomami<\/a>, por uma estrutura\u00e7\u00e3o de uma linha de cuidado e a reestrutura\u00e7\u00e3o do Programa de Sa\u00fade da Mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm 2023, apresentamos o Programa de Sa\u00fade da Mulher e foi muito profundo como elas colocaram que havia uma necessidade de respostas. Ent\u00e3o, no \u00faltimo ano fizemos uma consolida\u00e7\u00e3o de uma rede de atores envolvendo universidades, associa\u00e7\u00f5es, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais para responder a esta necessidade\u201d, explicou Manuela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_8806.jpg?itok=rRVsXDR9\" alt=\"Luiza Xirixana tamb\u00e9m aparece sentada fazendo anota\u00e7\u00f5es sobre a oficina. Ela tem o rosto pintado e usa joias ind\u00edgenas\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Luiza Xirixana fazendo anota\u00e7\u00f5es sobre a oficina\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_8848.jpg?itok=PAoMaLBJ\" alt=\"Adailsa Yanomami, participante da oficina de Direitos Humanos para mulheres, aparece sentada. Ela tem o rosto pintado\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Adailsa Yanomami, tamb\u00e9m participou da oficina\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como os cantos Ye\u2019kwana preservam sa\u00fade, ro\u00e7as e os Direitos Humanos<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_8767.jpg?itok=ZEj9NdGv\" alt=\"Juc\u00e9lia e Elisa, neta e av\u00f3 Ye\u2019kwana, neta e av\u00f3, posam sorrindo para foto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Juc\u00e9lia e Elisa, neta e av\u00f3 Ye\u2019kwana, tamb\u00e9m participaram da oficina de Direitos Humanos\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Juc\u00e9lia Magalh\u00e3es Rocha, uma jovem Ye\u2019kwana que participou da oficina e atua como Agente Ind\u00edgena de Sa\u00fade (AIS) na regi\u00e3o de Auaris, a parte da oficina focada em sa\u00fade ir\u00e1 lhe possibilitar a oportunidade de melhorar os atendimentos que faz junto aos psic\u00f3logos da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sou AIS na minha comunidade, acompanho as psic\u00f3logas e fazemos reuni\u00f5es com mulheres. Ent\u00e3o, nestas reuni\u00f5es poderei falar sobre os direitos das mulheres na sa\u00fade e na seguran\u00e7a\u201d, disse a jovem Ye\u2019kwana.<\/p>\n\n\n\n<p>Juc\u00e9lia foi acompanhada por Elisa Ye\u2019kwana, que tem um forte papel entre as comunidades Ye\u2019kwana, sendo conhecedora de cantos que mant\u00e9m as ro\u00e7as fortes e os ind\u00edgenas bem nutridos.<\/p>\n\n\n\n<p>A antrop\u00f3loga Karenina Vieira Andrade, que participou da oficina e que faz parte do corpo docente da UFMG, trabalha com os Ye\u2019kwana e resumiu parte da hist\u00f3ria de Elisa. Ela explicou que a anci\u00e3 vivia em Fuduuwaaduinha, onde ocorreu o<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/como-floresta-vai-se-recuperar-yanomami-e-yekwana-apresentam-plano-ao\">&nbsp;V F\u00f3rum de Lideran\u00e7as Yanomami e Ye\u2019kwana<\/a>, mas em 2008 se mudou para Kuratanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Karenina, as comunidades s\u00e3o muito pr\u00f3ximas e os parentes se visitam constantemente, o que ajuda a preservar e repassar aos mais jovens conhecimentos que os anci\u00e3os, como Elisa, conhecem profundamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla conhece um conjunto de cantos associado \u00e0s ro\u00e7as para quando eles abrem as ro\u00e7as porque as mulheres Ye\u2019kwana s\u00e3o as donas das ro\u00e7as, s\u00e3o como se fossem filhos, e elas precisam ter um cuidado constante porque a ro\u00e7a \u00e9 viva\u201d, explica a antrop\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a ro\u00e7a \u00e9 considerada um ser vivo pelos Ye\u2019kwana os cantos associados a rituais de cuidado, mant\u00e9m o ser agradado para gerar bons alimentos. Cada etapa da ro\u00e7a &#8211; planta\u00e7\u00e3o, cultivo, cuidados e colheita &#8211; est\u00e1 associada a um conjunto de cantos e cuidados diferentes, dos quais Elisa executa com maestria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 a garantia de sa\u00fade das pessoas. Se esse conhecimento se perde, a comunidade inteira fica sob risco de n\u00e3o ter um bom alimento. Garantir que esse conhecimento das mulheres passe de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o \u00e9 referendar o que est\u00e1 nos dispositivos constitucionais de que os povos ind\u00edgenas t\u00eam direito a viver de acordo com os seus usos e costumes\u201d, disse Karenina.<\/p>\n\n\n\n<p>O conjunto de conhecimentos mant\u00e9m Elisa como uma figura forte e extremamente respeitada entre os Ye\u2019kwana. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um forte interesse da parte dela para que meninas jovens aprendam os rituais para manter as comunidades Ye\u2019kwana fortes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">XV Encontro de Mulheres<\/h3>\n\n\n\n<p>A Oficina de Direitos Humanos para Mulheres da Terra Ind\u00edgena Yanomami tamb\u00e9m foi uma atividade de continua\u00e7\u00e3o do XV Encontro de Mulheres Yanomami, que ocorreu na segunda semana de outubro. Esta foi a maior edi\u00e7\u00e3o do evento, discutindo temas como a gesta\u00e7\u00e3o, o parto,&nbsp; o planejamento reprodutivo, os rastreamentos de c\u00e2ncer de colo do \u00fatero, soberania alimentar e os atendimentos na Casa Ind\u00edgena de Sa\u00fade (Casai) e na maternidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_8757.jpg?itok=DOyU_Q5Y\" alt=\"A professora-adjunta da UFMG tamb\u00e9m esteve presente na oficina e no XV Encontro de Mulheres Yanomami. Ela posa sorrindo para a foto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A professora-adjunta da UFMG esteve presente na oficina e no XV Encontro de Mulheres Yanomami\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para \u00c9rica Dumont, professora-adjunta da Escola de Enfermagem da UFMG, que ministrou parte da oficina e esteve no XV Encontro de Mulheres Yanomami, os eventos consolidaram o desejo das ind\u00edgenas de reestruturar o que foi perdido durante a pandemia de Covid-19 e de resgatar as rela\u00e7\u00f5es desgastadas durante o governo de Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente escutou tanto nesta oficina, quanto no Encontro de Mulheres, relatos de viola\u00e7\u00f5es ao longo dos anos no acesso \u00e0 maternidade e \u00e0 Casai no respeito aos costumes, aos h\u00e1bitos e alimenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos lugares de repouso e de receber comunica\u00e7\u00e3o sobre o tipo de tratamento que recebem com um int\u00e9rprete\u201d, pontuou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9rica explicou ainda que as viola\u00e7\u00f5es ocorrem mesmo no territ\u00f3rio com atendimento prec\u00e1rio e falta de exames. \u201cMas \u00e9 importante destacar que h\u00e1 uma&nbsp; melhora nesta gest\u00e3o, elas est\u00e3o felizes e confiantes com a atua\u00e7\u00e3o do DSEI\u201d, destacou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme a especialista, a aten\u00e7\u00e3o diferenciada \u00e9 um direito garantido na Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade dos Povos Ind\u00edgenas, isto quer dizer que os ind\u00edgenas t\u00eam o direito de ser atendimento de um jeito que considere os modos de vida, os costumes, e as perspectivas de sa\u00fade deles, como por exemplo, o respeito aos xam\u00e3s e as parteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas viola\u00e7\u00f5es muitas vezes est\u00e3o ligadas ao desrespeito aos costumes, mas h\u00e1 casos que extrapolam e s\u00e3o desrespeitos que seriam ofensas a qualquer ser humano\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>A aten\u00e7\u00e3o diferenciada inclui, al\u00e9m dos aspectos do modo de vida, a quest\u00e3o log\u00edstica. No contexto da Terra Ind\u00edgena Yanomami, \u00c9rica explica que para atender uma mulher Yanomami \u00e9 preciso uma escala de voos e h\u00e1 uma din\u00e2mica diferente para acessar os lugares, pois cada comunidade tem as suas especificidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA aten\u00e7\u00e3o diferenciada pode, ainda, incluir tecnologias diferenciadas. Muitas das mulheres Yanomami seriam classificadas, de acordo com o atual protocolo de pr\u00e9-natal, como alto risco gestacional&nbsp; por terem baixo, peso, pela idade e pela rela\u00e7\u00e3o com a mal\u00e1ria, tudo isso, implicaria que elas fossem removidas da floresta para a cidade, mas sabemos que \u00e9 invi\u00e1vel e, de fato, n\u00e3o desejamos que isso aconte\u00e7a. \u00c9 preciso incorporar um atendimento de alto risco na floresta\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>A oficina de Direitos Humanos faz parte de um projeto de extens\u00e3o da UFMG e tem o financiamento do MDHC, o ISA \u00e9 parceiro desta iniciativa. O objetivo \u00e9 formar grupos ind\u00edgenas Yanomami em Direitos Humanos. Al\u00e9m do grupo de mulheres, jovens diretores das 10 associa\u00e7\u00f5es da Terra Ind\u00edgena Yanomami j\u00e1 passaram pelo processo de forma\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Oficinas para os diretores das associa\u00e7\u00f5es<\/h3>\n\n\n\n<p>A I Oficina de Forma\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos para Jovens Diretores Yanomami e Ye\u2019Kwana durou seis dias e contou com a participa\u00e7\u00e3o de todas as 10 associa\u00e7\u00f5es que representam a&nbsp;<a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Yanomami#:~:text=O%20etn%C3%B4nimo%EE%80%80%20%22Yanomami%22%EE%80%81%20foi%20produzido%20pelos\">Terra Ind\u00edgena Yanomami<\/a>. As lideran\u00e7as estiveram reunidas em Boa Vista durante a primeira quinzena de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta oficina apresentou conceitos base dos Direitos Humanos enquanto os relacionava com a hist\u00f3ria da maior terra ind\u00edgena do pa\u00eds, com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/livros\/terra-indigena-yanomami-plano-de-gestao-territorial-e-ambiental-com-protocolo-de\">Plano de Gest\u00e3o Territorial e Ambiental (PGTA) e o Protocolo de Consulta<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00e1gua limpa \u00e9 parte dos Direitos Humanos. Se voc\u00ea fica doente, precisa ter acesso a rem\u00e9dios que tamb\u00e9m s\u00e3o Direitos Humanos. Tudo que defende a nossa vida, como a \u00e1gua limpa, a floresta conservada, s\u00e3o Direitos Humanos. Enquanto tudo que ataca a vida, como o garimpo, a guerra, a agress\u00e3o contra crian\u00e7as e mulheres, s\u00e3o viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos\u201d, explicou Marcelo Moura, antrop\u00f3logo consultor do Minist\u00e9rio de Direitos Humanos, aos ind\u00edgenas durante a oficina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_3524.jpg?itok=WgsZZrOH\" alt=\"D\u00e1rio Kopenawa aparece em p\u00e9, na frente de um tel\u00e3o, palestrando durante oficina de Direitos Humanos\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>D\u00e1rio Kopenawa durante oficina de Direitos Humanos\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_3552.jpg?itok=4gTbaMEx\" alt=\"Edmilson Dami\u00e3o, primeiro secret\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o Wanasseduume Ye'kwana, posa para foto vestido uma camiseta onde se l\u00ea &quot;Povos da Floresta&quot;\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Edmilson Estev\u00e3o Dami\u00e3o, representou a Seeduume\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami (HAY), associa\u00e7\u00e3o com duas d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o, enviou novas lideran\u00e7as para participar e aprender sobre o tema, mas l\u00edderes com mais experi\u00eancia, como D\u00e1rio Kopenawa discursaram durante a oficina. O vice-presidente da HAY apresentou o PGTA e Protocolo de Consulta da Terra Ind\u00edgena Yanomami aos diretores das outras nove associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 um compromisso nosso, dos povos Yanomami e Ye\u2019kwana. \u00c9 nossa responsabilidade e tem tudo aqui sobre o que pensamos sobre sa\u00fade, l\u00edngua, educa\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de renda\u201d, disse durante a explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Edmilson Estev\u00e3o Dami\u00e3o, primeiro secret\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o Wanasseduume Ye&#8217;kwana, ouvir lideran\u00e7as como D\u00e1rio Kopenawa e Maur\u00edcio Ye\u2019Kwana o inspirou a manter a proximidade entre todas as associa\u00e7\u00f5es da Terra Ind\u00edgena Yanomami.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAchei muito importante a apresenta\u00e7\u00e3o dos diretores que est\u00e3o na luta por n\u00f3s h\u00e1 mais tempo. Foi muito bom ouvir o Maur\u00edcio e o D\u00e1rio, eles inspiraram muito as novas lideran\u00e7as. Tamb\u00e9m achei bom a uni\u00e3o e a aproxima\u00e7\u00e3o entre todas as associa\u00e7\u00f5es da Terra Ind\u00edgena Yanomami\u201d, declarou ao ISA.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme L\u00eddia Montanha Castro, coordenadora do Programa Rio Negro do ISA, a ideia de juntar lideran\u00e7as experientes com novos l\u00edderes \u00e9 justamente para que haja troca de informa\u00e7\u00f5es e que os novos diretores possam estar mais capacitados. Montanha e Manuela Otero, estiveram como consultoras representando o ISA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO objetivo deste trabalho \u00e9 alcan\u00e7ar as associa\u00e7\u00f5es da Terra Ind\u00edgena Yanomami, por isso h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o de representantes das 10 associa\u00e7\u00f5es que existem atualmente. Al\u00e9m de ser direcionado \u00e0s 10 associa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 outra caracter\u00edstica mais espec\u00edfica, que \u00e9 formar novos diretores\u201d, declarou Montanha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_3547.jpg?itok=EvUsyOvQ\" alt=\"Francilene dos Santos Pereira, da AMYK, posa para foto. Ela usa uma camiseta vermelha e atr\u00e1s dela tem uma \u00e1rvore e um carro\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Francilene Pereira representou a AMYK na forma\u00e7\u00e3o\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-12\/IMG_3559.jpg?itok=jfUvpHQm\" alt=\"Roni Raitateri Yanomami, Tesoureiro da Associa\u00e7\u00e3o Kurikama Yanomami, posa para foto usando uma camiseta branca. Ao fundo, tem uma \u00e1rea verde\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Roni Raitateri, Tesoureiro da Associa\u00e7\u00e3o Kurikama Yanomami\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0Fabr\u00edcio Ara\u00fajo\/ISA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m de compartilhar os problemas, as lideran\u00e7as conseguiram assimilar como o conhecimento sobre Direitos Humanos pode funcionar como uma ferramenta de defesa do territ\u00f3rio e pretendem fazer o conhecimento ecoar em suas respectivas comunidades, como pontua Francilene dos Santos Pereira, moradora de Maturac\u00e1 e articuladora da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Yanomami Kumirayoma (AMYK).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu gostei muito de descobrir mais ferramentas para que possamos defender o territ\u00f3rio. Acho que \u00e9 um tema importante para trabalhar com mulheres e a juventude, \u00e9 isso que vou levar daqui para a minha comunidade\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das quest\u00f5es recorrentes levantadas pelos ind\u00edgenas foi a viola\u00e7\u00e3o dos Direitos de crian\u00e7as e mulheres Yanomami. Os relatos corroboram as informa\u00e7\u00f5es de que mulheres s\u00e3o abusadas por garimpeiros, enquanto crian\u00e7as morrem ou s\u00e3o retiradas de maneira ilegal do territ\u00f3rio por invasores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante que estejamos todos ligados, juntos e unidos para enfrentar os problemas, principalmente os abusos contra nossas mulheres e mortes de nossas crian\u00e7as causadas pelos garimpeiros, assim como evitar que governantes violem os nossos direitos\u201d, declarou o segundo tesoureiro da Associa\u00e7\u00e3o Kurikama Yanomami, Roni Raitateri Yanomami.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniel Jabra, L\u00eddia Montanha Castro e Marcelo Moura explicaram aos Yanomami os conceitos de coloniza\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o contextualizando com casos atuais e relacionando as situa\u00e7\u00f5es em que garimpeiros obrigam os ind\u00edgenas a trabalhar ap\u00f3s receberem itens como cobertor, bebida alco\u00f3lica e comida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 a coloniza\u00e7\u00e3o, eles v\u00e3o comendo o territ\u00f3rio, a cultura e tudo mais at\u00e9 n\u00e3o sobrar nada\u201d, disse Jabra ao explicar sobre como a coloniza\u00e7\u00e3o ocorre pela igreja, pelos garimpeiros e at\u00e9 mesmo pelo governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta primeira oficina foi a primeira iniciativa da parceria UFMG e ISA, com apoio do MHDC,&nbsp; com o objetivo de formar as 10 associa\u00e7\u00f5es da Terra Ind\u00edgena Yanomami atrav\u00e9s de dois p\u00fablicos: os jovens diretores e as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/mulheres-da-terra-indigena-yanomami-criam-cartilha-de-direitos-humanos\">(de Fabr\u00edcio Ara\u00fajo &#8211; via Instituto Socioambiental &#8211; ISA)<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinte e quatro mulheres Yanomami (Yanomam, Yanomami, San\u00f6ma e Ninam) e Ye\u2019kwana criaram uma&nbsp;cartilha sobre Direitos Humanos&nbsp;para as mulheres da maior terra ind\u00edgena do Brasil, a&nbsp;Terra Ind\u00edgena Yanomami. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de uma oficina sobre Direitos Humanos, ministrada na \u00faltima semana de novembro, em Boa Vista. As respons\u00e1veis pela cartilha representaram as 10 associa\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1089,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[16,15,11,19],"tags":[],"class_list":["post-1088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direitos-e-politicas-publicas","category-educacao-e-formacao","category-noticias","category-saude-e-bem-viver"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1088"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1090,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1088\/revisions\/1090"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}