{"id":900,"date":"2024-11-24T15:45:36","date_gmt":"2024-11-24T18:45:36","guid":{"rendered":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/?p=900"},"modified":"2025-04-24T21:16:29","modified_gmt":"2025-04-25T00:16:29","slug":"povos-da-floresta-se-tornam-protagonistas-de-uma-poderosa-rede-de-conexao-por-internet-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/povos-da-floresta-se-tornam-protagonistas-de-uma-poderosa-rede-de-conexao-por-internet-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Povos da floresta se tornam protagonistas de uma poderosa rede de conex\u00e3o por internet na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/foto12cul-101-capa-d1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-901\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-12b51d8dea79cfb05c2d69e6524146bb wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\"><em>Reportagem publicada originalmente no jornal Valor Econ\u00f4mico, em 12\/07\/2024<\/em>.<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 h\u00e1 pouco, Murumuru tinha algo de Macondo nos registros oficiais brasileiros. Vilarejo pacato de 400 pessoas e pouco mais de 100 fam\u00edlias, seria t\u00e3o ficcional quanto o de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, n\u00e3o tivesse sido finalmente reconhecido em novembro como territ\u00f3rio quilombola do munic\u00edpio de Santar\u00e9m, no Par\u00e1. Na Amaz\u00f4nia havia apenas 60 comunidades quilombolas nos registros oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, uma estimativa mais diligente e n\u00e3o estatal esbo\u00e7a pelo menos 2 mil \u00e1reas remanescentes de quilombos. Esse mapeamento faz parte de um projeto ambicioso de conex\u00e3o por internet de gente invis\u00edvel que sequer consta dos mapas. \u00c9 assim que os povos da floresta &#8211; quilombolas, ind\u00edgenas e extrativistas &#8211; se tornaram protagonistas de uma rede poderosa de conex\u00e3o na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome da iniciativa que nasceu h\u00e1 dois anos escancara seu objetivo: Conex\u00e3o Povos da Floresta. O esfor\u00e7o se tornou o maior projeto de conectividade entre povos ind\u00edgenas, comunidades quilombolas e extrativistas na Amaz\u00f4nia. Mas \u00e9 muito mais que instalar uma tomada e lig\u00e1-los \u00e0 internet. Quando isso acontece, abre-se um mundo novo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta come\u00e7ou por mapear quantas comunidades existem nos nove estados amaz\u00f4nicos &#8211; para conect\u00e1-las \u00e9 preciso, primeiro, encontr\u00e1-las. Em 2022, identificaram-se 4.537. S\u00f3 em uma delas havia internet r\u00e1pida. Entre 5% e 10% tinham algum tipo de conectividade e eram caras, intermitentes e de baixa velocidade. A regi\u00e3o Norte do Brasil \u00e9 onde est\u00e3o os grandes vazios de conex\u00e3o. Milhares de lugares nunca tiveram nada ou convivem com sistemas ruins.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/L7z1rMuxv23j0q901XdZUgCP6i4=\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/O\/u\/auPIesSEGoWtA9GX82Bg\/foto12cul-102-capa-d1.jpg\" alt=\"Aldeia Jamari, na Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau (RO): conectada em maio de 2023, \u00e9 uma das 933 comunidades inseridas na rede em 237 munic\u00edpios \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Aldeia Jamari, na Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau (RO): conectada em maio de 2023, \u00e9 uma das 933 comunidades inseridas na rede em 237 munic\u00edpios \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO leil\u00e3o do 5G acabara de acontecer e cruzamos as obriga\u00e7\u00f5es com as comunidades. S\u00f3 50 das 4.583 mapeadas receberiam internet 4G ou 5G at\u00e9 2028\u201d, diz o engenheiro florestal e socioempreendedor Tasso Azevedo, idealizador do Conex\u00e3o Povos da Floresta, do Fundo Amaz\u00f4nia e do MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto pretende ligar em rede, com internet banda larga, mais de 1 milh\u00e3o de pessoas vivendo em 5 mil comunidades na Amaz\u00f4nia. S\u00e3o elas que cuidam e preservam 130 milh\u00f5es de hectares de florestas e est\u00e3o fora das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura, economia, meio ambiente, seguran\u00e7a, cidadania e tudo mais. \u201cN\u00e3o tem escolas nas comunidades. Estamos \u00e0 margem disso, est\u00e3o nos negando o direito. Queremos ser inclu\u00eddos, ser envolvidos\u201d, cobra Joaquim Belo, secret\u00e1rio de comunica\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional das Popula\u00e7\u00f5es Extrativistas. \u00c9 o CNS, entidade lend\u00e1ria que traz na sigla o \u201cS\u201d de seringueiros e foi criada a partir da luta de Chico Mendes, no Acre, na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cempates\u201d de ent\u00e3o, t\u00e9cnica de se deitar na floresta para impedir as ilegalidades de desmatadores, tem hoje faceta digital. \u201c\u00c9 fundamental essa alian\u00e7a dos povos da floresta para travar uma luta de forma coletiva. Queremos ser enxergados como brasileiros\u201d, segue Belo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados do MapBiomas, uma das refer\u00eancias no mapeamento do territ\u00f3rio brasileiro junto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, mostram que menos de 1% do desmatamento ocorreu em territ\u00f3rios protegidos, mas as press\u00f5es s\u00e3o crescentes. Nos \u00faltimos dez anos, o garimpo ilegal em terras ind\u00edgenas aumentou dez vezes e os alertas de desmatamento representaram 7% da \u00e1rea total desmatada em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse contexto deu corpo ao projeto. Tr\u00eas entidades de base lideram a coordena\u00e7\u00e3o institucional &#8211; os extrativistas do CNS, os ind\u00edgenas da Coiab (Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira) e os quilombolas da Conaq (Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Quilombos). O suporte institucional \u00e9 dos institutos Conex\u00e3o Povos da Floresta e Arapya\u00fa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 33 filantropias financiadoras e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais parceiras &#8211; a pr\u00f3pria Arapya\u00fa; a Gordon and Betty Moore Foundation; a Lemelson Foundation; a Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho; a Natura; o Projeto Sa\u00fade e Alegria; o Centro de Empreendedorismo da Amaz\u00f4nia; o Imazon; o Ipam; a Funda\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel; o WWF, Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia; o ISA; a Amigos da Terra Amaz\u00f4nia Brasileira; o Idesam; o nic.br; o Iep\u00e9; a Kanind\u00ea; Uma Gota no Oceano, entre v\u00e1rias outras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/mTxCKFEyxSKNJqDw-CpxHx3pwGw=\/0x0:1290x756\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/U\/2\/urFMxaReGzrWocx5rO5Q\/foto12cul-103-capa-d1.jpg\" alt=\"Cacique Gilliard Juruna, da aldeia Miratu, na Terra Ind\u00edgena Paqui\u00e7amba, testa sinais vitais no tablet \u2014 Foto: Jo\u00e3o Albuquerque\/Dzawi Filmes\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cacique Gilliard Juruna, da aldeia Miratu, na Terra Ind\u00edgena Paqui\u00e7amba, testa sinais vitais no tablet \u2014 Foto: Jo\u00e3o Albuquerque\/Dzawi Filmes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro encontro presencial das lideran\u00e7as e dos apoiadores ocorreu em junho, em Alter do Ch\u00e3o, no Par\u00e1. At\u00e9 ent\u00e3o, tudo era virtual. Foram 150 participantes reunidos durante tr\u00eas dias para discutir os desafios do presente e os do futuro. Nas discuss\u00f5es dos grupos, ficou claro que \u00e9 simplista e simpl\u00f3rio pensar que se trata apenas de um esfor\u00e7o para conectar \u00e0 internet quem n\u00e3o tem acesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A iniciativa abre a pessoas esquecidas pelo Estado oportunidades de telessa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, economia na floresta e inclus\u00e3o ao Brasil. Abre, tamb\u00e9m, o lado sombrio da for\u00e7a e coloca em foco o alerta a ind\u00edgenas, quilombolas e ribeirinhos de que na rede tamb\u00e9m h\u00e1 pornografia, jogos violentos e delinquentes de todo tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia do Conex\u00e3o Povos da Floresta surgiu de uma surpresa. Foi uma conversa na confer\u00eancia do clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas feita em Glasgow, na Esc\u00f3cia, em 2022. Tasso Azevedo perguntou \u00e0 hoje ministra dos Povos Ind\u00edgenas Sonia Guajajara quais eram as principais demandas das popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Em primeiro lugar, demarca\u00e7\u00e3o territorial. Em segundo, conectividade. \u201cIsso nos surpreendeu. Imagin\u00e1vamos que seria sa\u00fade. Mas o fato \u00e9 que a conectividade permite todo o resto\u201d, diz Tasso, presidente do conselho deliberativo do Conex\u00e3o Povos da Floresta,.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi exatamente o que aconteceu na manh\u00e3 da quinta-feira 6 de junho. Um grupo de participantes do 1\u00ba Encontro da Rede Conex\u00e3o Povos da Floresta se deslocou, de \u00f4nibus, para Murumuru, a uma hora e meia de Alter do Ch\u00e3o. Foram recebidos no sal\u00e3o da comunidade, que cheirava a caf\u00e9, p\u00e3es feitos na hora e bolos quentinhos de mandioca, banana e a\u00e7a\u00ed, dispostos com cuidado na mesa forrada com um tecido colorido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa n\u00e3o \u00e9 uma mesa qualquer. \u00c9 uma mesa de resist\u00eancia\u201d, explicou Miriane Coelho, secret\u00e1ria da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Quilombolas de Santar\u00e9m. \u201cDe resistir a tudo o que o industrializado e o enlatado t\u00eam. \u00c9 um lugar onde a gente coloca o que sabemos fazer desde sempre.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miriane deu os n\u00fameros &#8211; seriam 4 mil quilombolas nas comunidades de Santar\u00e9m, segundo os registros oficiais, mas 10 mil, segundo os quilombolas. \u201c\u00c9 um prazer e uma estrat\u00e9gia fazer parte do movimento Conex\u00e3o Povos da Floresta. Quando se falou disso, nem ach\u00e1vamos que seria no territ\u00f3rio quilombola. Somos tidos aqui na Amaz\u00f4nia como quilombolas invis\u00edveis, n\u00e3o existimos. Mas vamos mostrar que estamos aqui tamb\u00e9m. A minha comunidade nem tinha esperan\u00e7a de ser conectada. Nem temos energia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/Z1jwAw09G2xemx1k2RqYH9TD8Ao=\/0x0:1158x694\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/O\/Y\/UzWh9mSMqhCdAStBjaVw\/foto12cul-104-capa-d1.jpg\" alt=\"Equipe do Sa\u00fade &amp; Alegria, ONG que apoia o projeto, e Juliana Dib Rezende, secret\u00e1ria executiva do Instituto Conex\u00e3o \u2014 Foto: Gerdeson Oliveira\/Dzawi Filmes\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Equipe do Sa\u00fade &amp;amp; Alegria, ONG que apoia o projeto, e Juliana Dib Rezende, secret\u00e1ria executiva do Instituto Conex\u00e3o \u2014 Foto: Gerdeson Oliveira\/Dzawi Filmes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O investimento total do projeto \u00e9 estimado em US$ 80 milh\u00f5es. Em dois anos, foram R$ 50 milh\u00f5es investidos. Os n\u00fameros mais recentes, de julho, s\u00e3o de 933 comunidades conectadas, mais de 23 mil usu\u00e1rios, cerca de 71 mil pessoas beneficiadas em nove estados e 237 munic\u00edpios. N\u00e3o h\u00e1 dinheiro p\u00fablico, \u00e9 tudo com recursos da filantropia. O maior investimento \u00e9 fornecer energia renov\u00e1vel \u00e0s comunidades que ainda n\u00e3o t\u00eam. Imagina-se que as comunidades em territ\u00f3rios protegidos da Amaz\u00f4nia, 4.537 no primeiro mapeamento, s\u00e3o mais de 5 mil. Algumas previs\u00f5es indicam 8 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pulo do gato \u00e9 a simplicidade da infraestrutura que permite a conex\u00e3o. O kit de conectividade \u00e9 montado pela equipe do Instituto Conex\u00e3o Povos da Floresta e pode ser instalado e mantido pelos comunit\u00e1rios. Inclui antena de internet banda larga via sat\u00e9lite de baixa \u00f3rbita, roteador, celular e um computador. As comunidades sem acesso \u00e0 energia convencional recebem um kit de energia solar, com placas fotovoltaicas e uma bateria de l\u00edtio. S\u00e3o da Ion Energia, de Sorocaba, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os equipamentos chegam em caixas leves e podem ser montados em horas. Os computadores s\u00e3o fornecidos pela ReUrbi Socioambiental, empresa de economia circular que coleta equipamentos e reaproveita materiais de TI. A tecnologia de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 da Starlink, de Elon Musk. A escolha da Starlink levou em conta v\u00e1rios pontos &#8211; era a op\u00e7\u00e3o mais barata, podia ser implantada pelos ind\u00edgenas, quilombolas e extrativistas e permitia manuten\u00e7\u00e3o feita pela pr\u00f3pria comunidade. A antena \u00e9 da Starlink, mas a empresa n\u00e3o tem nada a ver com o projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conectar as comunidades \u00e9 criar a rede. E \u00e9 a rede que ir\u00e1 gerar impacto em larga escala\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira instala\u00e7\u00e3o aconteceu em mar\u00e7o de 2023, na Terra Ind\u00edgena Yanomami. Depois foi a vez do povo Mura, da Terra Ind\u00edgena Ariramba, no Amazonas. A Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Itatup\u00e3-Baqui\u00e1, unidade de conserva\u00e7\u00e3o no Par\u00e1 onde vivem extrativistas, recebeu os kits em maio de 2023, e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da infraestrutura, outro pilar do projeto \u00e9 o controle comunit\u00e1rio. A rede \u00e9 gerenciada pela comunidade, que maneja um aplicativo de acordo com regras definidas coletivamente. Um grupo de pessoas, os facilitadores comunit\u00e1rios, gerenciam o cadastro, o perfil de usu\u00e1rio, controlam as regras de uso e os filtros de conte\u00fado. No aplicativo h\u00e1 um guia de boas pr\u00e1ticas e manuais para cria\u00e7\u00e3o de e-mails ou para navegar na internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro front \u00e9 o da inclus\u00e3o e do empoderamento digital. Foram organizados cinco grupos de trabalho. O de sa\u00fade j\u00e1 conectou mais de 30 comunidades ao Portal Telemedicina, o parceiro operacional. A meta \u00e9 chegar a 100 comunidades at\u00e9 o fim do ano. \u201cO foco da Telemedicina \u00e9 o fortalecimento do SUS, que n\u00e3o consegue chegar na ponta da flecha\u201d, diz Juliana Dib Rezende, secret\u00e1ria executiva do Conex\u00e3o Povos da Floresta. O esfor\u00e7o \u00e9 de buscar integra\u00e7\u00e3o com a\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, as secretarias estaduais e as Sesai, as secretarias de sa\u00fade ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/P9pm-kMKwND5yE6FhDzWCAJSBuQ=\/0x0:353x327\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/f\/4\/6rBZAGRn2lLXopiRfmmg\/foto12cul-107-capa-d1.jpg\" alt=\"Val Solidade: \u201cPol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 um direito\u201d \u2014 Foto: Alice Arida\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Val Solidade: \u201cPol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 um direito\u201d \u2014 Foto: Alice Arida\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo do empreendedorismo busca apoiar novos neg\u00f3cios desde a ideia, estrutura\u00e7\u00e3o e abertura do CNPJ. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ajudar o empreendedor e evitar que tenha que sair \u00e0 toa do territ\u00f3rio. \u201cEles t\u00eam a pr\u00e1tica do extrativismo, s\u00e3o empreendedores naturais da floresta\u201d, diz Luana Coelho, coordenadora de projetos do Centro de Empreendedorismo da Amaz\u00f4nia, apoiador da Conex\u00e3o, com sede em Bel\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conectados, eles conseguem acesso a conhecimento: como melhorar a produ\u00e7\u00e3o, a exist\u00eancia de marketplaces na rede, vender nas m\u00eddias sociais e at\u00e9 receber Pix. \u201c\u00c9 uma curadoria de oportunidades\u201d, explica Luana. Entre ind\u00edgenas, extrativistas e quilombolas h\u00e1 empreendedores em etapas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNosso foco inicial era dar impulso \u00e0 origem de neg\u00f3cios, mas o que est\u00e1 saindo, de melhor, \u00e9 a troca entre eles\u201d, diz. Com foco em floresta e biodiversidade, h\u00e1 m\u00faltiplas cadeias de valor emergindo, do a\u00e7a\u00ed e cacau ao artesanato e moda, turismo e gastronomia, passando por produtos florestais n\u00e3o madeireiros, sementes, \u00f3leos e frutas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Educa\u00e7\u00e3o, por seu turno, \u00e9 um tema gigante e desafiador na Conex\u00e3o. \u201cO principal \u00e9 garantir a seguran\u00e7a e acessibilidade focando na inf\u00e2ncia, na juventude e nos idosos\u201d, diz Juliana. \u201cTemos um olhar do uso seguro da internet.\u201d Isso significa que, a cada nova conex\u00e3o, os facilitadores das comunidades &#8211; pessoas indicadas pelos comunit\u00e1rios para fazer a gest\u00e3o da rede- passam por oito encontros de \u201csabedoria digital\u201d. \u201cAli vai se falar sobre o uso da senha, como a internet funciona, qual a import\u00e2ncia de se garantir a responsabilidade compartilhada desse mundo novo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 palestras sobre crise h\u00eddrica da Amaz\u00f4nia, filtros de conte\u00fado, uso indevido de conte\u00fados online, por exemplo. \u201cA cada instala\u00e7\u00e3o, com cuidado e respeito, entramos com o que j\u00e1 vivemos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 internet, algo que vivenciamos todos os dias, h\u00e1 anos, dentro das nossas pr\u00f3prias casas. E falamos da responsabilidade compartilhada, para que todas as comunidades entendam que elas tambem s\u00e3o respons\u00e1veis, para que os pais vejam como os filhos est\u00e3o usando seu celular\u201d, diz Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os debates, no grupo, de como apresentar o mundo da internet a quem n\u00e3o o conhece, suas possibilidades e riscos, s\u00e3o intensos e amadurecem no processo. Joaquim Belo, do CNS, deu um pouco da dimens\u00e3o do que a conectividade pode significar aos povos da floresta: \u201cTrabalho com jovens. Eles enxergam tecnologia no celular, no computador, na televis\u00e3o, mas n\u00e3o conseguem enxergar a tecnologia que h\u00e1 numa canoa ou que o matapi da pesca de camar\u00e3o [armadilha em formato cil\u00edndrico feita com tala de palmeiras] \u00e9 uma tecnologia. Porque o sistema vai fazendo o menino negar o que ele \u00e9. \u00c9 fundamental que um projeto como esse olhe para os desafios que temos. A conex\u00e3o ir\u00e1 cumprir um papel nesse processo, mas ter\u00e1 que ir al\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/c1l5qIiL4gL9GNM42LBL6cgwb3I=\/0x0:324x300\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/i\/P\/XSoitoTea413GDwFAlCw\/foto12cul-105-capa-d1.jpg\" alt=\"Tasso Azevedo: \u201cTornar vis\u00edveis esses povos\u201c \u2014 Foto: Jo\u00e3o Albuquerque\/Dzawi Filmes\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tasso Azevedo: \u201cTornar vis\u00edveis esses povos\u201c \u2014 Foto: Jo\u00e3o Albuquerque\/Dzawi Filmes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo que trata da prote\u00e7\u00e3o territorial tamb\u00e9m tem tarefa ambiciosa: procura fazer com que a internet sirva como um escudo \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Neste grupo, cruzando mais de nove fontes oficiais e de parceiros, chega-se a estimativas de mais de 8.200 comunidades na Amaz\u00f4nia. \u201cH\u00e1 muita invisibilidade desses povos\u201d, registra Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cultura e ancestralidade s\u00e3o a base do quinto grupo. Os t\u00f3picos giram em torno do ativismo digital, de jovens comunicadores, da crise clim\u00e1tica. \u201cE tamb\u00e9m de como garantir que a tecnologia seja uma aliada para a preserva\u00e7\u00e3o cultural e para manter o esp\u00edrito ancestral desses povos\u201d, preocupa-se Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um depoimento emocionante sobre ancestralidade veio de Valcl\u00e9ia Solidade, superintendente de desenvolvimento sustent\u00e1vel de comunidades da Funda\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel, a FAS. Val, como \u00e9 conhecida no mundo das ONGs que trabalham pela Amaz\u00f4nia, disse ter nascido em Murumuru. Saiu de l\u00e1 aos 10 anos porque n\u00e3o havia como estudar, s\u00f3 at\u00e9 a quarta s\u00e9rie. \u201cFui morar na casa de pessoas, trocar minha m\u00e3o de obra por educa\u00e7\u00e3o.\u201d Segue: \u201cSe n\u00e3o temos acesso, temos que correr atr\u00e1s, e \u00e9 este processo que torna as comunidades invis\u00edveis. N\u00e3o somos n\u00f3s que temos que correr atr\u00e1s da pol\u00edtica p\u00fablica. Ela tem que nos achar onde n\u00f3s estamos, \u00e9 um direito constitucional\u201d. Refere-se a outro papel crucial que os povos da floresta exercem no territ\u00f3rio: \u201cUm papel dif\u00edcil porque s\u00e3o a pr\u00f3pria barreira da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cristiana Camarate, conselheira substituta da Anatel, a Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es, trouxe a previs\u00e3o de investimentos na regi\u00e3o. No Brasil h\u00e1 10% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o conectada, o pior \u00edndice na Amaz\u00f4nia. O Programa Norte Conectado, do Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, quer implantar oito infovias na regi\u00e3o com 12 mil km de cabos subfluviais e R$ 1,3 bilh\u00e3o de investimentos. \u201cIsso \u00e9 estruturante\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCriamos algo muito simples, mas a quantidade de oportunidades que esse projeto abre, nunca hav\u00edamos imaginado\u201d, diz Tasso Azevedo. \u201cConectar as comunidades \u00e9 criar a rede. E \u00e9 a rede que ir\u00e1 gerar impacto em larga escala\u201d, segue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No evento em Alter ouviram-se v\u00e1rios exemplos do efeito-rede. Um deles \u00e9 do CNS, que se organiza para, finalmente, poder participar das consultas, editais e propostas para o Plano Safra, algo com que a associa\u00e7\u00e3o nunca conseguiu se envolver. Ou o caso de Sineia do Vale, a l\u00edder wapichana especialista na crise clim\u00e1tica que, a partir da conex\u00e3o, conseguiu participar de audi\u00eancia do Conselho Nacional de Justi\u00e7a em Raposa Serra do Sol, em Roraima.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/oS0lMRLfU8utoxxfhdWoGNwAWb8=\/0x0:391x362\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/r\/n\/cq7iZXSmOLRQwwQOyAzQ\/foto12cul-106-capa-d1.jpg\" alt=\"Joaquim Belo: \u201cH\u00e1 tecnologia numa canoa\u201d \u2014 Foto: Gerdeson Oliveira\/Dzawi Filmes\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Joaquim Belo: \u201cH\u00e1 tecnologia numa canoa\u201d \u2014 Foto: Gerdeson Oliveira\/Dzawi Filmes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra frente \u00e9 a econ\u00f4mica. Os extrativistas agora conseguem, em rede, combinar pre\u00e7os para n\u00e3o serem enganados por atravessadores ou promover vendas coletivas dos seus produtos. H\u00e1 iniciativas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica &#8211; comunidades conectadas durante as fortes cheias no Acre no in\u00edcio de 2024 avisavam quando as \u00e1guas chegavam em sua \u00e1rea e assim preparavam as que estavam adiante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A outra face do espelho mostra que no mundo novo h\u00e1 tamb\u00e9m jogos de azar e de viol\u00eancia, golpes e pornografia. Na discuss\u00e3o, em Alter, surgiu a ideia de se montar uma nova estrat\u00e9gia para fazer com que os filtros de conte\u00fado possam funcionar de modo mais eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje \u00e9 dado aos comunit\u00e1rios controle sobre todos os temas &#8211; registram quem pode entrar na internet, hor\u00e1rio, bloqueios de conte\u00fado. Agora se decidiu colocar filtros, como padr\u00e3o, para sites do g\u00eanero. \u201cSe a comunidade quiser tirar o filtro, ter\u00e1 que tomar essa decis\u00e3o. Mas uma coisa \u00e9 decidir colocar um filtro de conte\u00fado; outra, bem diferente, \u00e9 tomar a decis\u00e3o de se tirar o bloqueio\u201d, diz Tasso. Outra inciativa ser\u00e1 criar mecanismos para que a comunidade possa, de forma r\u00e1pida, denunciar amea\u00e7as. \u201cTipo um bot\u00e3o de p\u00e2nico\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3ximo passo \u00e9 captar recursos para chegar a mil comunidades conectadas em julho; em seguida, ampliar para 5 mil comunidades. \u201cE depois atender \u00e0s mais de 5 mil que mapeamos. Esse \u00e9 o ritmo.\u201d Tasso segue: \u201cQueremos acelerar um direito que j\u00e1 existe\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ronaldo dos Santos, secret\u00e1rio de pol\u00edticas para quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana e ciganos, do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial, surpreendeu-se com a rede: \u201cEsta conex\u00e3o \u00e9 uma das grandes experi\u00eancias revolucion\u00e1rias que est\u00e3o acontecendo no Brasil atualmente\u201d, diz. \u201cO que define a pot\u00eancia da luta \u00e9 o poder da comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o digo que antes da internet n\u00e3o havia luta, muito ao contr\u00e1rio: se chegamos at\u00e9 aqui \u00e9 porque foi poss\u00edvel. Mas a conex\u00e3o fortalece a luta dos povos da floresta\u201d, segue. \u201cUma coisa \u00e9 essa comunidade resistir \u00e0s press\u00f5es que v\u00eam sobre ela. Outra \u00e9 a capacidade de se articular com a comunidade do lado, e assim, se fortalecer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a grande hist\u00f3ria daquela manh\u00e3 de 6 de fevereiro estava por vir. Foi a visita \u00e0 Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade do Tiningu, a 20 minutos do quilombo de Murumuru. L\u00e1 trabalham 24 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de poucos recursos e muitas demandas &#8211; desde meninos que caem de a\u00e7aizeiros a partos. S\u00e3o tr\u00eas enfermeiras, um \u00fanico m\u00e9dico, o motorista do barco, o da ambul\u00e2ncia e alguns auxiliares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao receberem a conex\u00e3o, as enfermeiras Adriane Ramos, Silvane Guimar\u00e3es e Merivalda dos Santos conseguiram fazer, em um dia, 35 eletrocardiogramas (com um pequeno aparelho emprestado) em gente que nunca passou por isso. \u201cTodos os povos da floresta, que fazem parte do Conex\u00e3o, podem ter acesso 24 horas por dia a m\u00e9dicos\u201d, disse Rafael Figueroa, cofundador do Portal Telemedicina, explicando o sistema. \u201cO desenho da sa\u00fade digital, no Conex\u00e3o, j\u00e1 nasce em harmonia com o SUS\u201d, segue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em certo momento, Figueroa ergueu um tablet, digitou alguns comandos e a m\u00e9dica Andressa Cardoso Sales surgiu na tela. Surpreendeu-se com a plateia e nenhum paciente. Estava no Rio Grande do Sul, ajudando na trag\u00e9dia das chuvas de maio, e viu-se na UBS da remota comunidade paraense. O mesmo tablet foi usado algumas horas depois, no sal\u00e3o de Murumuru, para testar alguns sinais vitais atrav\u00e9s da vis\u00e3o da retina do usu\u00e1rio. Foi assim que o l\u00edder ind\u00edgena Gilliard Juruna mediu sua press\u00e3o, o n\u00edvel de estresse e o batimento card\u00edaco, e viu que estava tudo em ordem. \u201cA conex\u00e3o tem nos ajudado muito. Anotamos as invas\u00f5es do garimpo no territ\u00f3rio e j\u00e1 fazemos a den\u00fancia pela rede\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final da apresenta\u00e7\u00e3o, um aparelho de eletrocardiograma foi doado \u00e0 UBS. Wanderson Skrock, coordenador de opera\u00e7\u00f5es da ReUrbi, surgiu com um computador da economia circular, em perfeito funcionamento, e que tamb\u00e9m foi doado \u00e0s enfermeiras do Tiningu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/eu-e\/noticia\/2024\/07\/12\/povos-da-floresta-se-tornam-protagonistas-de-uma-poderosa-rede-de-conexao-por-internet-na-amazonia.ghtml\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/valor.globo.com\/eu-e\/noticia\/2024\/07\/12\/povos-da-floresta-se-tornam-protagonistas-de-uma-poderosa-rede-de-conexao-por-internet-na-amazonia.ghtml\">(Fonte: Valor Econ\u00f4mico)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reportagem publicada originalmente no jornal Valor Econ\u00f4mico, em 12\/07\/2024. At\u00e9 h\u00e1 pouco, Murumuru tinha algo de Macondo nos registros oficiais brasileiros. Vilarejo pacato de 400 pessoas e pouco mais de 100 fam\u00edlias, seria t\u00e3o ficcional quanto o de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, n\u00e3o tivesse sido finalmente reconhecido em novembro como territ\u00f3rio quilombola do munic\u00edpio de Santar\u00e9m, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1512,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[16,23,11],"tags":[],"class_list":["post-900","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direitos-e-politicas-publicas","category-inovacao-e-tecnologia","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=900"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1215,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900\/revisions\/1215"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/solved.eco.br\/intranet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}