Evento reuniu lideranças de povos tradicionais, sociedade civil e governo em Manaus (AM) para debater soluções em políticas públicas para territórios da Amazônia Legal

Crédito: Nathalie Brasil

Mais de 200 participantes, entre lideranças indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas e representantes de organizações da sociedade civil e de órgãos governamentais, estiveram reunidos entre os dias 6 e 8 de agosto em Manaus (AM), no 2º Encontro da Rede Conexão Povos da Floresta: Integração de Políticas Públicas. O evento teve como objetivo debater soluções integradas a políticas públicas voltadas às populações da Amazônia Legal, em áreas como saúde, educação, proteção territorial e conectividade.

O Encontro da Rede é uma iniciativa da Rede Conexão Povos da Floresta, que busca conectar em rede, através de internet banda larga, mais de 8 mil comunidades localizadas em territórios protegidos da Amazônia Legal, aliando conectividade à inclusão digital, segurança e empoderamento.

Ao longo de três dias de programação, os participantes do evento se debruçaram em soluções já desenvolvidas no âmbito do projeto e como conectá-las a políticas públicas que promovam a autonomia e o acesso a direitos dos povos da floresta. As discussões envolveram plenárias e salas temáticas focadas em questões como proteção territorial, empreendedorismo e conectividade. 

O encerramento aconteceu na manhã da sexta-feira (8), com a apresentação de propostas construídas coletivamente em uma plenária participativa com agentes públicos e sociedade civil.

O evento contou com a presença de representantes de órgãos como Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ministério Público Federal (MPF), Ministério da Igualdade Racial (MIR), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Secretaria de Governo Digital (SGD), além de instituições parceiras da rede, como o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Portal Telemedicina, Fundação Amazônia Sustentável (FAS), RECODE, entre outros.

Conectividade significativa e acesso a direitos

Crédito: Nathalie Brasil

“A ideia da Rede Conexão é que a conectividade seja apenas uma ferramenta, usada de forma consciente e segura, para que as populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas e extrativistas tenham um acesso facilitado aos seus direitos. Por isso, é fundamental integrarmos a rede ao desenvolvimento de políticas públicas”, destacou Sabrina Costa, coordenadora do Núcleo de Operações da Rede Conexão Povos da Floresta.

Atualmente, a Rede já conta com mais de 1,8 mil comunidades  beneficiadas pelas ações do projeto. A iniciativa é liderada pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), em parceria com mais de 50 organizações da sociedade civil, instituições públicas e empresas.

A pluralidade de vozes foi um dos pontos altos do encontro. “Percebemos o quanto esse processo foi rico e produtivo. Agora é implementar, fortalecer e expandir dentro dos nossos territórios, porque sabemos a importância da conectividade para educação, saúde, empreendedorismo e visibilidade”, afirmou José Carlos Galiza, liderança quilombola da CONAQ.

Crédito: Nathalie Brasil

Já Dione Torquato, secretário-geral do CNS, ressaltou a importância da integração entre todos os atores envolvidos para que a conectividade seja um instrumento de transformação.

“O objetivo é discutir e descobrir juntos como podemos avançar com a conectividade nos territórios da Amazônia, para gerar implementação das políticas públicas em monitoramento territorial, empreendedorismo, saúde de qualidade. A gente espera que nesses diálogos a gente possa trilhar caminhos e abrir oportunidades para avançar na conectividade como oportunidade de trabalho, inclusão e, acima de tudo, garantia de direitos para os povos da floresta, do campo e das águas”, pontuou Dione.

“Uma das principais demandas dos povos originários é em relação à proteção de seus territórios, e os parentes necessitam muito dessa comunicação de uma maneira rápida. Nesse sentido, a conexão tem sido uma ferramenta importante que tem mostrado um bom resultado para o monitoramento territorial”, complementou Alcebias Sapará, vice-coordenador da COIAB.

Governo reconhece papel estratégico da rede nas políticas públicas

Crédito: Nathalie Brasil

A presidenta da Funai, Joênia Wapichana, esteve presente no painel de encerramento do evento e chamou atenção para a importância do diálogo permanente entre organizações civis e o governo. “A internet hoje é uma necessidade, mas é preciso haver cuidado com os impactos. A conectividade deve unir a articulação dos povos em torno das políticas públicas”, reforçou.

Outros representantes do governo federal também reforçaram o compromisso com a iniciativa. Para Valéria Benon, Coordenadora-Geral de Avaliação, Qualidade e Experiência do Usuário no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o encontro permitiu uma escuta ativa dos cidadãos na Amazônia e potencializou a oferta de serviços públicos em territórios de difícil acesso.

Avanilson Karajá, Diretor do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas, destacou a importância da integração: “Que possamos andar juntos para que as políticas sociais cheguem com mais força aos territórios.” 

O 2º Encontro da Rede reafirmou a Rede Conexão Povos da Floresta como uma plataforma estratégica para garantir que a conectividade seja uma ferramenta de empoderamento e resistência dos povos da Amazônia, diante dos desafios atuais e futuros, incluindo as mudanças climáticas.

Crédito: Nathalie Brasil

Sobre a Rede Conexão Povos da Floresta

A Rede Conexão Povos da Floresta é uma iniciativa que busca levar internet banda larga a mais de 8 mil comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas da Amazônia Legal, aliando conectividade e energia a ações de inclusão, segurança e fortalecimento comunitário. 

Liderado por CONAQ, COIAB e CNS, o projeto reúne mais de 50 organizações parceiras e atua sobre três pilares, infraestrutura, controle comunitário e inclusão digital e empoderamento, para que a conectividade seja ferramenta de transformação social, ampliando o acesso à saúde, educação e oportunidades, contribuindo também para a conservação da floresta.

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